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quinta-feira, 24 de abril de 2008

Pra que diários se não sei dançar?




Saber que tenho serias dificuldades em relação a atividades burocráticas isso já me é e a todos que convivo por demais notório, e até mesmo posto como, algo convencional, mas o fato é que, produzir diários, me tem sido super torturante, esses pequenos ossos do ofício são tão difíceis de engolir que me fazem perder o rumo de outras empreitadas bem mais profícuas e gratificantes e, é por esse motivo, creio que estou e estarei, a partir de agora a escrever, pois para fugir da tarefa de redigir os tão famigerados diários, me pego a relativismo de tanto e tantas coisas que o tempo esvai-se como que nem percebo a vida a correr e os compromissos a bater à porta. Toda essa perda de tempo me fez inclusive duvidar do quanto realmente, lecionar me é prazeroso, contudo, hoje eu sei que gosto da docência e o que me faz detestar os diários não são eles por se só, enquanto burocrática ferramenta de controle, mas o fato de, ao redigi-los, ter que os adequar à realidade estatística da qual todo professor deve se submeter-se caso não queira ser tachado de incompetente por não apresentar índices de aprovação superiores a no mínimo setenta por cento. Isso sim, é o que de fato me dá náuseas e me afasta dos diários. Pode parecer, uma justificativa um tanto quanto cínica para explicar atrasos de entrega de notas, mas essa é a mais pura verdade. A realidade dura e crua é que todo e qualquer Estado no qual a secretária de educação se encontra carente em não apresenta altas tachas de aprovação e aprendizagem para com isso justificar investimentos na área, compele os docentes a esticar de um lado e encolher do outro, quando estes deparam-se com as notas e o número de freqüência adequada ao índice que deverá ser sempre otimizado. Segue-se assim, a uma rotina cavalar de maquiagens onde aquele aluno turista acidental milagrosamente detém no mínimo a média e aquele outro, participativo apenas de corpo presente supostamente constrói seu conhecimento obtendo não apenas a presença mais também um ótimo conceito. Toda essa celeuma vai para os diários digitais ou não, que nos discursos ditos nos conselhos de classe entrecortados com chavões pedagógicos da moda e os nomes daqueles outros que são danados, ou hiperativos, que (sem querer entrar no mérito da questão), é outro nome para alunos mau comportados, mais que dentro do processo ensino e aprendizagem gloriosamente (Sim...É uma gloria) o professor psicólogo, sociólogo, pedagogo, pai e ator conseguiu a proeza de numa sala com, quase sempre, (Sim, porque do mesmo jeito que acredito que Deus existe também acredito em salas de aulas com menos de trinta alunos) mais de trinta alunos, apenas três no máximo, não conseguiram a aprovação. Fica evidente, que não podemos generalizar, o provão e o Enem estão aí, para tentar amenizar e levantar as mascaras, contudo em muitos estados, principalmente os do norte e nordeste como o Tocantins (Esse é campeão) e o Piauí, no baile do “Ensino e Aprendizagem” somente de mascaras que se pode dançar, isso ao som de grandes sucessos como aquele que fala de um tal de “Oprimido” e aquele outro com um refrão que todos repetem sem de fato saber definir e muito menos praticar, “Interdisciplinar”, “Contextualizar”. Como resultado, tem-se uma baita ressaca chamada de Enem que para tanto se toma um sal de frutas chamado de “Formação continuada”. Mas, como o dono do baile tem de ganhar dinheiro o baile segue seu ritmo alucinante todas as semanas, bimestres e semestres fincados em uma única prerrogativa, a de que quantidade é melhor que qualidade. Assim, como posso gostar de fazer diários se não gosto de “Bailes”?. Obs: O dono do Baile também é o dono do “Sal de frutas”

Um comentário:

Anônimo disse...

Puxa vida, é exatamente assim que me sinto. Parabéns pela iniciativa